Entidades — Correntes Invisíveis I
Entidades não são deuses. Não são espíritos. E não são fantasmas.
São ideias vivas, conscientes de si mesmas e daquilo que representam.
Onde houver dor, há uma que se alimenta. Onde houver desejo, uma desperta.
Elas não nascem — elas emergem.
Algumas são tão antigas quanto o próprio tempo. Outras surgiram ontem: de uma angústia coletiva, de um medo silencioso, de um grito que ninguém ouviu.
Quem as vê como monstros, falha.
Quem as vê como salvação, também.
Entidades existem. E isso basta para mudar tudo.
Entidades — Correntes Invisíveis II
Entidades não podem vagar livremente.
Não por escolha — mas por um instinto universal de preservação.
Quando uma entidade caminha sem limites, a realidade se desfaz:
- a lógica dobra-se ao símbolo
- o tempo perde coerência
- o real torna-se interpretação
Por isso, elas são seladas.
Contidas em:
- corpos
- lugares
- palavras
- memórias
Algumas são presas por aço rúnico. Outras, por promessas.
E algumas — as mais perigosas — são presas por amor, o laço mais frágil e, ao mesmo tempo, o mais poderoso.
Cada corrente não protege o mundo da entidade…
mas protege o mundo daquilo que ele se tornaria sem ela.
Entidades — Correntes Invisíveis III
Usar o poder de uma entidade não é um dom.
É um contrato.
Toda manifestação exige uma troca:
- Vitalidade por Visão
- Tempo por Verdade
- Memórias por Milagres
- Vínculos por Vontade
E há um preço maior, raramente compreendido:
- Identidade por Imortalidade
Aquele que consome o poder de uma entidade não a controla. Ele se torna, lentamente, uma extensão dela.
Seus pensamentos deixam de ser seus. Seus desejos passam a ecoar algo maior.
E, no fim, a linha entre servo e avatar simplesmente desaparece.
Entidades — Correntes Invisíveis IV
Entidades não possuem uma hierarquia fixa.
Mas padrões foram observados por aqueles que sobreviveram o suficiente para estudá-las:
Primordiais
Existem antes do tempo. Representam conceitos absolutos como:
- o Silêncio
- a Vontade
- o Vazio
Emergentes
Nascem de eventos intensos:
- guerras
- colapsos
- traumas coletivos
São instáveis, porém extremamente ativas.
Fragmentadas
Partes de algo maior.
Agem como:
- ecos
- reflexos
- estilhaços de uma entidade superior
Mascaradas
Assumem forma humana.
Caminham entre os vivos. Observam. Influenciam. Fingem ser.
E, às vezes… esquecem que não são.
Despertadas
Dormem por eras.
Só despertam quando:
- seus símbolos são encontrados
- seus nomes são lembrados
- ou seus pactos são quebrados
