The Dream — O sonho disfarçado de pesadelo
Obs.: Esta pequena história é totalmente ilusória. Nada do que você irá ler aqui é de conhecimento geral. Tudo isso se passa durante os sonhos e as meditações de Lexyn Ashfall. Poucas das informações apresentadas aqui são de conhecimento de outras pessoas, então nada de metagaming.
Que sonho maluco, cara... Magia, pessoas aleatórias por aí voando pelos céus como se fossem pássaros... É, dessa vez eu realmente viajei. — pensou Lexyn.
Lexyn Ashfall — 20 anos, algumas horas antes do ataque a Erdônia.
Será que o pessoal já estava esperando por ele? Afinal, haviam combinado de pescar naquele dia, lá no riacho. Não queria deixar os amigos esperando, então resolveu falar rapidamente com o tio antes de sair. — Vou falar com ele e correr pra lá — murmurou para si mesmo, descendo as escadas apressadamente.
Leyn, como seu tio costumava chamá-lo, atravessou a casa e foi direto para o depósito, localizado no quintal, próximo à saída da cozinha. Durante o percurso, ouviu uma voz familiar chamando por ele.
— Leyn?!
— Sim, tio? Precisa de alguma coisa? Estou com um pouco de pressa...
— Ah, sim! Você ia pescar com os meninos hoje, não é mesmo? Bom, eu falo com você quando voltar, então. Boa pescaria!
Lexyn diminuiu um pouco o ritmo, olhando na direção do tio. — O senhor realmente não quer falar agora? Eu ainda tenho um tempinho! — perguntou, inquieto, claramente querendo sair dali o quanto antes.
Seu tio apenas sorriu levemente. — Não se preocupe, meu filho. Vá logo, os meninos já devem estar esperando por você.
— TUDO BEM, ENTÃO! EU VOLTO! — respondeu Lexyn, já correndo em direção à porta dos fundos. Saiu o mais rápido que pôde, fechando a porta atrás de si.
Se ele realmente soubesse o que estava prestes a acontecer naquele dia... talvez tivesse se despedido de uma maneira mais tranquila.
Assim que Lexyn saiu, seu tio começou a tossir de forma abrupta e incomum. Levou a mão ao peito por alguns instantes e precisou se apoiar na cadeira da cozinha, tentando recuperar o fôlego. Depois de algum tempo, resolveu ir até o quarto para se deitar um pouco.
Enquanto isso, Lexyn corria pelas ruas da cidade em direção ao ponto de encontro com os amigos. No meio do caminho, sentiu algo estranho, uma sensação difícil de explicar, como se já tivesse vivido aquele mesmo dia antes. Por alguns instantes, diminuiu o ritmo, tentando compreender o que havia acabado de sentir. Entretanto, como não encontrou explicação alguma, resolveu ignorar aquilo e voltou a correr, acelerando em direção à rua de baixo, onde os outros deveriam estar esperando.
Ao chegar, reuniu-se com os amigos, e todos partiram em direção ao riacho. Lá, passaram o tempo conversando sobre a vida, compartilhando sonhos e planos para o futuro, enquanto pescavam e comiam alguns dos peixes que haviam conseguido pegar. Era apenas mais um dia comum em suas rotinas, sem preocupações maiores do que as conversas e os planos que faziam para o futuro. Tudo parecia tranquilo, como se nada naquele mundo pudesse perturbar aquela pequena paz que compartilhavam.
Mas aquilo estava prestes a mudar completamente.
Um dos rapazes percebeu algo estranho. A princípio, foi apenas um cheiro de fumaça, fraco o suficiente para ser confundido com alguma fogueira distante. Ele se virou na direção de onde vinha o cheiro e, ao olhar para a cidade, percebeu uma enorme coluna de fumaça subindo aos céus.
Fogo.
O céu estava tomado por uma fumaça escura que se espalhava a partir de Erdônia.
— EI! OLHEM AQUILO! — gritou, chamando a atenção dos demais.
Todos se viraram. Por alguns segundos, ninguém conseguiu compreender o que estava vendo. Então, sem perder mais tempo, largaram tudo o que tinham e começaram a correr de volta para a cidade, torcendo para que aquilo não passasse de algum idiota que havia deixado uma lanterna cair em um monte de feno novamente. Já não seria a primeira vez que alguma coisa assim aconteceria, afinal.
Para o azar deles, não era isso.
Quando se aproximaram, a situação se tornou evidente. Um incêndio tomava conta de Erdônia, enquanto uma nuvem escura avançava sobre a região. Relâmpagos cortavam o céu ao longe, e o vento soprava com uma intensidade capaz de fazer qualquer um sentir um arrepio percorrer a espinha. Havia algo de profundamente errado naquela cena. Não era apenas um incêndio, nem um acidente qualquer.
Aquilo era um ataque.
Os amigos de Lexyn correram em direção às entradas da vila e, desesperados, dividiram-se para tentar chegar às próprias casas e encontrar suas famílias. Lexyn, por outro lado, mal conseguia compreender o que estava acontecendo. Permaneceu parado por um breve instante, observando a destruição diante de si, completamente desacreditado. Sua mente parecia incapaz de acompanhar a velocidade com que tudo estava desmoronando ao seu redor. Não sabia o que fazer, não sabia para onde ir e sequer conseguia organizar os próprios pensamentos.
Então, uma única pessoa veio à sua mente.
Seu tio.
Lexyn disparou em direção à própria casa. Ao chegar, avistou as chamas consumindo as construções vizinhas. Sua casa também começava a pegar fogo, e um relâmpago atingiu o telhado, partindo a estrutura e fazendo destroços caírem no interior da residência. Sem pensar duas vezes, entrou desesperadamente, chamando pelo tio enquanto atravessava os cômodos.
— TIO?!
Correu pela casa, procurando qualquer sinal de sua presença, mas não obteve resposta. Continuou chamando, cada vez mais desesperado, até perceber que não conseguiria avançar por todos os cômodos. As chamas se espalhavam, e parte da estrutura havia desabado. Ainda assim, não queria desistir. Não podia simplesmente ir embora sem encontrá-lo.
Primeiro ponto.
De repente, tudo ao seu redor desapareceu.
Não havia mais casa, fogo ou céu. Apenas escuridão. Um vazio absoluto tomou conta de sua percepção, como se o mundo inteiro tivesse sido apagado em um único instante. Uma sensação indescritível de desespero percorreu sua mente, e aquele breu parecia avançar por dentro dele, consumindo qualquer referência que ainda possuía. Lexyn não conseguia compreender o que estava acontecendo, muito menos encontrar uma maneira de reagir.
Então, ao longe, ouviu uma voz.
— Lexyn?
Ele não conseguiu responder. Aquela voz parecia familiar, muito familiar, mas havia algo de estranho nela. Por mais que tentasse reconhecê-la, não conseguia compreender de onde vinha ou por que a ouvira. Antes que pudesse pensar em qualquer coisa, tudo voltou ao normal.
Lexyn estava novamente na entrada de sua casa.
Não tentou entender o que havia acabado de acontecer. Sua cabeça estava tomada pelo desespero, e tudo o que conseguia pensar era em encontrar o tio. Correu em direção às escadas para subir até o quarto, mas o relâmpago que atingira o telhado havia destruído parte da estrutura. Os degraus estavam partidos, e as chamas começavam a se espalhar, tornando impossível continuar por aquele caminho.
Foi então que se lembrou de algo. Naquele horário, seu tio costumava caminhar pela praça, duas ruas acima. Talvez estivesse lá. Talvez tivesse saído de casa antes do incêndio começar. Era uma possibilidade, e Lexyn precisava se agarrar a alguma coisa.
Saiu correndo novamente.
As ruas estavam estranhamente vazias. Não havia ninguém chamando por ajuda, ninguém correndo em sua direção, ninguém que pudesse lhe dizer o que estava acontecendo. Ele não compreendia nada daquilo. Uma parte de si insistia que aquela situação não podia ser real, mas outra não conseguia ignorar o calor das chamas, a fumaça sufocante e o caos que se espalhava por toda parte.
E, se aquilo fosse real...
Não. Não podia ser.
POR FAVOR, POR FAVOR... QUE TUDO ISSO SEJA APENAS UM PESADELO! POR FAVOR!
O pensamento ecoava em sua mente enquanto corria o mais rápido que conseguia em direção à praça. Precisava encontrar o tio. Precisava que alguém lhe dissesse que tudo ficaria bem, que aquilo não passava de um acidente e que, quando tudo terminasse, poderia voltar para casa e conversar com ele como havia prometido.
Mas não encontrou ninguém.
A praça estava vazia.
Lexyn parou por um instante, olhando ao redor, tentando encontrar qualquer sinal de vida. Nada. Não havia ninguém ali, nem seu tio, nem seus amigos, nem qualquer outra pessoa que pudesse lhe oferecer uma resposta. A sensação de que alguma coisa estava profundamente errada se tornava cada vez mais forte, mas ele não conseguia organizar os próprios pensamentos para compreender o motivo.
Não sabia para onde ir. Não sabia o que fazer. Não sabia sequer se ainda havia alguém naquela cidade que pudesse encontrar.
E, mesmo assim, continuou procurando.
Seu tio. Seus amigos. Qualquer pessoa.
Ele só precisava encontrar alguém.
Foi então que outro nome surgiu em sua mente.
Owliver.
Lexyn parou abruptamente, franzindo a testa enquanto tentava compreender o que acabara de pensar.
— Owliver...? Quem caralhos é Owliver?!
Levou as mãos à cabeça e começou a golpeá-la levemente, como se pudesse arrancar de si aquela confusão.
— Que droga... Que droga é essa?!
Por que aquele nome havia surgido? Quem era aquela pessoa? Por que sentia que deveria saber?
Não conseguiu encontrar resposta alguma. E não podia se dar ao luxo de ficar parado tentando descobrir. Voltou a correr, sem direção, sem um plano e sem qualquer certeza de que encontraria alguém. Só queria sair dali, encontrar uma pessoa conhecida, qualquer pessoa que pudesse ajudá-lo a compreender o que estava acontecendo.
Ele não queria ficar sozinho novamente.
De repente, uma dor de cabeça terrível o atingiu. Lexyn levou as mãos à cabeça, sentindo uma pressão insuportável, como se algo estivesse tentando esmagá-la por dentro. Ao mesmo tempo, uma dor tomou conta de seu peito, deixando-o sem fôlego. Suas pernas falharam, e ele caiu de joelhos no meio da rua.
Por alguns instantes, não conseguiu se mover. Sua visão ficou turva, e sua cabeça começou a girar. Tentou respirar, mas até mesmo isso parecia ter se tornado difícil. Então, os nomes começaram a surgir em sua mente, um após o outro, sem qualquer explicação.
Lore.
Kenji.
Nova Itália.
Tonon.
Felipe.
Lexyn apertou a cabeça com as mãos, tentando fazer aquilo parar.
— O que caralhos está acontecendo comigo?!
Sua voz saiu trêmula, quase sufocada pelo desespero.
— QUE DROGA É ESSA?!
Tentou se levantar, mas suas pernas mal respondiam. Os nomes continuavam ecoando em sua mente, acompanhados por uma sensação estranha, como se devesse conhecê-los, como se fossem importantes demais para simplesmente ignorá-los.
— QUEM SÃO ESSAS PESSOAS?! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!
Não compreendia nada. Não sabia por que aqueles nomes estavam surgindo, por que sentia aquela dor ou por que tudo parecia tão errado. Queria respostas. Queria que tudo parasse. Queria encontrar alguém que pudesse lhe dizer que aquilo não estava acontecendo.
Depois de alguns instantes, a dor pareceu diminuir. Lexyn permaneceu de joelhos, respirando com dificuldade, até finalmente conseguir erguer a cabeça. Foi então que percebeu algo no chão.
Uma poça de sangue.
Por um momento, apenas a observou, sem conseguir compreender o que estava vendo. Seus olhos acompanharam o rastro até a figura caída alguns metros à sua frente. Havia um corpo imóvel na rua.
Lexyn sentiu suas mãos começarem a tremer. Devagar, ergueu o rosto, tentando enxergar melhor. Era uma mulher. Ele a conhecia? Não sabia. Ou, pelo menos, não conseguia se lembrar.
Sua garganta pareceu se fechar. Os lábios se moveram antes que pudesse compreender o motivo.
— May...?
O nome escapou de sua boca.
Lexyn ficou imóvel.
May?
Quem caralhos é May?
Por que esse nome saiu da minha boca?
O que é tudo isso que está acontecendo comigo?
Continuou olhando para aquela figura, sem compreender por que sentia que deveria conhecê-la. Não sabia quem ela era, não sabia por que havia dito aquele nome e não sabia por que aquela cena lhe provocava uma sensação tão terrível. Só conseguia sentir que alguma coisa estava muito errada.
E, naquele instante, não fazia a menor ideia de como sair daquela situação.
Ele acorda.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.