Eu até hoje, não entendia muito bem o porque esse apelido me incomodava tanto. O Apollo é um cara inspirador, além de ser extremamente poderoso ele transparece confiança e muita sabedoria, ser comparado a ele não deveria ser algo ruim. Mas mesmo assim, esse apelido me incomodava, parecia sempre tocar em uma ferida.
As formas como o docente da casa de Venthra ressalta e aponta os erros, lembra demais o meu pai. A forma como ele pontua erros, a forma como ele julga, a maneira como ele levanta a voz quando algo está errado... portando um toque leve de cinismo com falas como "Tá feliz agora? Você é a porra do Herói", ou a maneira como ele é direto com certa frieza como fez com a Kiska, são pontos que lembram demais o Brandon.
Isso não é um problema do Apollo, longe disso, ele é um excelente professor com suas particularidades e isso é ótimo, mas o problema é a comparação.
Mesmo que seja uma brincadeira, mesmo que seja algo que não se leva a sério, me lembram características que eu jamais desejaria ter, não por criticar ou desprezar o professor, mas por enxergar uma aproximação indesejada com os ideais e atitudes que meu pai tinha.
Acho que pra mim, ouvir "O Apollinho" é menos sobre lembrar o Apollo, ou Venthra, e mais sobre "O quão parecido eu consigo ser com meu pai".
Na prática, isso não faz muito sentido, não mesmo. Mas, como uma pessoa que a 6 anos tenta superar e se desvincular do pai, é um desafio não relembrar alguns desses pontos ao ser chamado assim. E com certeza é por isso que me sinto engolir a seco quando vejo Apollo elevando a voz ou desprezando algo ou alguém.
A vida não é um morango, muito menos uma maçã. Escrever é uma maneira de se autoconhecer e bem, é uma maneira de eu mesmo lidar com isso tudo com muito mais leveza. Se fosse para ser fácil, meu professor não seria um ex-militar, e eu não estaria enfrentando os desafios de um recomeço.
Obrigado, professor. Agora consigo perceber algumas de minhas falhas, e tentar lapidar isso de uma maneira mais eficaz.
Agora que tudo isso está escrito em um papel, é hora de fechar o livro e deixar pra trás o que uma vez foi uma dor aqui descrita. Se eu fosse fraco, não seria Reed.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.