Diário de thizw

publicado em 23 de outubro de 2026

thizwEscrito por thizw

21:47

Na aula do Professor Rogério, nos foi apresentado que, para abrir o nó da mente, lidaríamos com nosso maior medo, frente a frente. Eu não sei se estou pronto pra viver isso de novo, aquele olhar... eu prometi que nunca mais me aproximaria de alguém além do necessário para garantir que eu nunca mais lidaria com a decepção, mas agora, em Ethereal, eu fui completamente contra a minha própria ordem. Eu tenho pessoas, eu tenho laços, eu me sinto pertencente de novo.

Saber que isso pode acabar em um piscar de dedos ainda me assusta, e principalmente que eu posso ser alvo de todo aquele desprezo de novo. Na reunião com Apollo, ele parece ter se alterado levemente com a minha aversão a ideia dele, e isso foi motivo suficiente de eu sentir minhas costas retraírem e a cabeça baixar, que nem eu era obrigado a fazer em Blackwood... mas dessa vez eu não era obrigado e mesmo assim fiz. Tudo pelo medo da repressão? Eu não sei, nem sei se quero saber, mas se não for comigo mesmo, vai ser Domingo.

Honestamente, eu acho que não volto, não tão cedo... Professor Rogério disse para nos apegarmos a algo que nos fazer sentir nós mesmos, pessoas, objetos, qualquer coisa que tenhamos apreço... Eu não tenho nada disso, eu sou só um garoto incapaz de encarar o passado, e que teme que o presente e o futuro se tornem como ele, eu temo que eu perca a oportunidade de ter meu recomeço, de viver a minha liberdade.

Tudo que eu consigo pensar, é o quanto eu quero fazer o Brandon pagar, não matando ele, não falando algo pra ele, mas fazendo ele sentir o mesmo desprezo que ele fez o mundo a minha volta ter por mim, quero que ele sinta que NÃO TEM UM FUTURO, eu sonho muito, mas muito... que ele presencie a culpa no peito e na mente, a culpa de algo que ele nunca fez, mas que foi sentenciado "por fazer", assim como eu fui, quando tudo que eu queria, era tirar o meu irmão com vida de lá, e garantir que ele não vivesse a injustiça que é uma pessoa escolher o seu destino, que no caso dele, foi impossibilitar uma criança de viver um sonho, de experimentar a vida, de brincar com seus amigos... mas não, segundo Blackwood toda, eu sou o responsável por destruir a família Reedy, eu sou o filho renegado que matou a própria mãe e o irmão mais novo por ser um "perturbado", um mentiroso que acredita em fantasia, que argumentou com o pai que um "mago" teria feito tudo isso. Não adianta o que eu faça, as pessoas nunca me inocentaram, e nunca me aceitaram de novo. Mas, eu posso fazer ele sentir o mesmo que eu.

Agora... isso é um objetivo bom para se consolidar a realidade e enfrentar o medo? Óbvio que não.


23:56

Aeduan... me ancorou na realidade, eu nunca tinha chorado na frente de alguém, desde o incidente. Sou grato por ter ela em Venthra, mais do que tudo.

Venthra pode não precisar de mim, mas eu preciso dela. Eu vou voltar, e eu vou colocar aquela árvore na nossa casa.

Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.