faz muito tempo que não escrevo, perdi a vontade. mas olhei um livro jogado aqui no quarto de hotel e peguei, por instinto. a “protetora” disse que todo livro escrito pode ser lido em babilon. não ligo.
enquanto o senge dorme aqui do lado, me peguei pensando nas muitas vezes em que a gente ficava acordado juntos até o amanhecer, conversando sobre tudo que tinha acontecido no dia, o que a gente precisava resolver no dia seguinte, com quem a gente precisava falar, quando a gente ia encontrar a arthemis ou os chiikas pra sair e pegar mais bichinhos pra fazenda.
agora a gente tá aqui. em outra realidade, de uma escola que a gente foi suspenso, num quarto de hotel até que bem bonito, mas que não é a nossa casa. arthemis continua lá, onde quer que “lá” seja, sendo torturada, mas lutando. minha menina é forte, eu sei. mas ela não deveria precisar ser. o chiika continua sendo ele mesmo e aproveitando novos “clientes”, mas eu sei que ele ainda se culpa por não ter conseguido proteger a irmã. a chiika também. o senge tá com raiva do mundo, e com razão. eu virei representante do meu elemento de um dia pro outro, meu corpo tá mudando, minha mente tá mudando e é muita coisa pra processar ao mesmo tempo.
o que eu gostaria mesmo era de um pouco de paz, sossego, silêncio. mas eu sei que é pedir muito agora. não dá.
eu to tentando, eu juro. mas tá muito difícil.
eu só queria minha família.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.