Hoje foi o dia em que o colégio de Ethereal caiu. Todos os professores estão mortos. Assistentes mortos. Sr. Gengibre morto. Até mesmo Babel.
É oque eu iria escrever caso isso tudo fosse real.
Não posso dizer que entendo o que está acontecendo aqui, mas posso recobrar os fatos. Então, escrevo não só para ajudar em minha memória, mas também como forma de colocar em papel para que eu possa visualizar melhor.
Vamos do começo.
Pré-Ritual
Vamos aos fatos mais antigos. Alguns dias atrás Emil Aveline invadiu a Babilon de Ethereal e leu livros que não devia. Esses livros provavelmente eram os dos últimos andares. Seja lá o que foi que ele leu naquelas páginas foi informação demais para uma mente frágil e despreparada. Nos dias seguintes ele foi ficando cada vez mais recluso e estranho conforme as informações corroíam a mente dele.
Após algum tempo, o garoto piorou, e coisas estranhas começaram a ser avistadas por toda Ethereal. Da minha casa, (escrevo como um membro de Ignivar) Mik me ligou dizendo para ter cuidado na recém-construída casa de máquinas, pois algo havia interferido com o farol de lá e estava vigiando a casa.
Nos dias seguintes mais avistamentos aconteceram em outros lugares. Bubo da casa Sylvara foi uma das pessoas que viu algo. Rubi de Ignivar ouviu vozes. Pessoas na sala de baús comunitária ouviram vozes as chamando para a floresta. E no dia anterior à abertura do Segundo Nó ficou tudo mais intenso. Na casa de máquinas de Ignivar duas pessoas viram um demônio vermelho e pessoas de outras casas viram um ser roxo. Rubi ouviu alguém falar com ela como se já a conhecesse, sendo identificado como Z.
Abrindo o Segundo Nó
O Segundo Nó, o "Portão da Mente". O fluxo de aeon passa por "artérias" por todo o corpo, e o Portão da Mente passa primeiramente pela Amígdala Cerebral. O que o professor Rogério nos informou a respeito do Segundo Nó foi que ele iria aplicar pressão num ponto entre nossos dois olhos, o que nos faria entrar em um estado de transe enquanto o aeon passa a fluir por nossa mente. Esse fluxo que atinge a Amígdala causa nossos medos a se tornarem manifestações mágicas mentais. Nós fomos instruídos a manter a calma, encontrar uma "âncora" e tentar nomear nosso medo.
* Os professores aplicariam pressão entre nossos olhos (Não aconteceu);
* Os professores não estariam presentes no sonho (confere);
* Encontrar e focar em uma âncora (conheço a minha);
* Nosso maior medo estaria presente (Não bate);
* Não passar mais de 1 semana em transe (os professores não deixariam).
Nem tudo bate. Durante a abertura todos de cada casa se reuniram e começaram a meditar. Uma professora apareceu para nos guiar e nós não tivemos a pressão aplicada entre os olhos. Durante a meditação a professora emitiu um circulo arcano, haviam raios periodicamente e depois de certo tempo em meditação ela só se levantou e disse: "Estranho, pensei que vocês estavam prontos."
Segundo relatos das outras casas, o mesmo ocorreu com todos os professores. Todos disseram a mesma frase e desapareceram, seguido de uma risada e uma voz dizendo: "Agora sou eu". As horas seguintes foram as piores. A esmagadora maioria começou a entrar em pânico e após algum tempo a voz começou a anunciar a morte de todos os funcionários de Ethereal. Diretora, Babel, professores, assistentes, enfermeiras, Sr. Gengibre. Logo percebemos que as barreiras da escola estavam completamente quebradas, com criaturas surgindo no campus e todos podendo entrar em qualquer casa. O caos só aumentava.
O Pesadelo
O que veio em seguida foi o roubo dos artefatos dos fundadores de casa, então os corpos dos professores sendo encontrados, relatos de que a floresta proibida havia mudado, Babilon pegando fogo e o demônio se apresentando como Zerek. Muitas pessoas começaram a ser atacadas de repente, alguns começaram a fugir, Emil Aveline falando sobre espirais, indo para a floresta com Elena. As pessoas recuperaram todas as suas vidas e até o momento em que escrevo essas páginas ainda desconheço alguém que tenha de fato morrido (permanentemente). Foi um massacre. Haviam pessoas tentando tirar a própria vida pulando da ponte em frente a escola.
Elias Moira guiou um grupo de pessoas até o local onde estávamos construindo nossa base de operações, acreditando que seria mais seguro para eles lá. Conheci uma garota chamada Cornélia, da casa de Venthra, que parecia ser a única com a cabeça no lugar naquele momento, que conversou comigo tentando entender melhor a situação. Confiei a ela um Walkie Talkie com a frequência ajustada para se comunicar comigo e os outros. Descobri como funciona o sistema de teleporte entre placas e resolvi voltar à escola para religar conexões que haviam sido destruídas, e nesse meio tempo o demônio se manifestou entre os que ficaram na base e executou eles diversas vezes, brincando com suas vidas. Eu os tirei de lá e levei para o estoque de Ignivar para pegar mais equipamentos.
Após horas torturando as pessoas, o demônio vermelho surgiu com... Algo. Algo na forma da diretora May. Mas garanto que não era ela. Ela atacou todos presentes e eventualmente foram todos expulsos da escola. Todos estão espalhados agora, eu não sei onde está Yori, não sei se ele está bem, não sei o paradeiro de Elias Moira, nem de Arian, nem de Cornélia ou qualquer outra pessoa. Eu selei a entrada da base, a cobri com terra e pedras e criei uma entrada alternativa subterrânea.
Não sei se vai ser seguro aqui. Eles podem se manifestar em qualquer lugar, então acredito que aqui seja tão seguro quanto qualquer outro lugar. Eu preciso sobreviver, e entender como parar isso. Por 1 semana.
Me desejem sorte.
Hipóteses
Pessoalmente, levantei algumas teorias, cada uma com seus próprios pontos, mas em algum momento algo mudou minha perspectiva e acredito que possa estar parcialmente errado. Todas elas partem do ponto de consideração que algo interferiu na Abertura do Segundo nó, alterando a ilusão e talvez até as regras.
Pesadelo dos Professores
A princípio acreditei que durante o ritual, nossa conexão mental com os professores pudesse ter sido "desviada", e redirecionada para o pior medo dos professores. Considerando a situação, todos os alunos sozinhos precisando se virar por si só, Babilon em chamas e Ethereal sendo invadida por criaturas poderosas, é um cenário que amedrontaria os funcionários da escola.
Essa hipótese falha em considerar falas sobre Emil e criaturas que os professores desconheciam.
Pesadelo de Nova Itália
Considerei possível que aqueles com medos absurdamente grandes pudessem ter sobrepujado a conexão mental entre os alunos e criado esse cenário. O povo de Nova Itália vivenciou horrores de guerra, seria suficiente para traumatizar qualquer um. O que suporta a ideia é que Rubi já conhecia a criatura chamada "Zerek", tornando plausível a manifestação vindo dela.
O que me leva a duvidar desta hipótese é que a experiência com Z parece muito pessoal para Rubi em específico, para essa hipótese se tornar mais firme haveria a necessidade de muitas outras pessoas de Nova Itália terem experiências com esse ser em específico.
Emil Aveline
Logo a princípio já declaro essa como a maior possibilidade, e se encontra praticamente confirmada, sendo reforçada por palavras ditas pela criatura Z que afirmavam que eles entraram pela porta na mente de Emil. O conhecimento que Emil adquiriu dentro de Babilon fez sua mente ruir, levando seu cérebro a se tornar uma porta de informações. Todos nós somos feitos de informação, é quem somos. Se essa informação encontra um espaço de conexão mágica e consegue acessá-lo através de um "portal" na mente de um conectado, então é possível que "sequestre" nossos sonhos.
Emil se tornou perigoso, muita gente o quer morto, mas ele não morre, ninguém morre. A dúvida que resta é: Seria Emil como uma porta ou como uma antena? Se ele for uma antena, cortar a conexão derrubaria o sinal, expulsando os demônios. Mas como nos livramos de uma informação?
O cérebro humano é magnífico, ele retém muitas informações que por um motivo ou outro ele registra como "importantes". É possível se esquecer de algo ao ponto de ouvir essa informação novamente como se fosse a primeira vez, mas isso é difícil com informações marcante para nós. Fora de casos de Alzheimer, informações importantes são mantidas no subconsciente, trancadas e protegidas. Você pode não lembrar que sabe essa informação, mas ela permanece lá até que o cérebro decida abrir o cofre e lê-la.
Levo em consideração a magia deste mundo. Talvez seja possível apagar a memória de Emil. Talvez causar um apagão total. Em todo caso, ainda há a opção da lobotomia. Mas caso Emil seja uma porta ao invés de uma antena, então a situação complica.
Uma porta aberta pode ser fechada, mas quem entrou não é obrigado a sair, apenas fica preso para dentro.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.