O último conto de Emil Aveline
Quando as luzes deixarem de existir,
E o último som enfim cessar,
Saberão que a grande espiral
Ao seu centro há de nos levar.
Não olhem para o alto, meus irmãos,
Nem respondam aos que estão além.
Há histórias que não cabem em nossas mãos,
E vozes que não pertencem a ninguém.
Eu as ouvi. Eu as quis compreender.
Busquei respostas onde não devia procurar.
Mas como poderia um contador se conter,
Se havia tantas histórias por contar?
Agora, no Limbo, aguardo meu final,
Enquanto as horas me levam ao esquecimento.
Pois Ela não é a morte, nem o mal,
É o fim de todo e qualquer pensamento.
É inevitável, e todos saberão,
Ela é o Final, e não há salvação.
Mas por que temer a escuridão,
Se nela repousa toda a criação?
Aproximem-se, venham observar,
Há tantas histórias que ainda não ouvi.
Olhem para o alto, deixem-se encantar,
Pois foi olhando que eu me perdi.
E se a espiral começar a vos chamar,
Não resistam ao que hão de conhecer.
Há tanta beleza em se fragmentar,
Tantas maneiras de deixar de ser.
Nesta poesia entregue aos Céus,
Deixo aqui meu último recado:
Emil Aveline trouxe o Fim para Etherial,
Por demais ter Observado.
No Limbo, esta última canção
Ecoará por toda a eternidade.
Ou até que Ela decida
Que o barulho finalmente acabe.
Caros Observadores...
Este é o Fim da História.
Espero que tenham apreciado.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.