É estranho, sabe? Eu passei a vida inteira montando essa armadura. Sempre soube exatamente quem eu era por dentro: fraca, vulnerável, quebrada. Mas o mundo não precisava ver isso. Ninguém precisava saber. Para eles, era mais fácil me ver como a garota engraçada, idiota, a que sempre tem uma piada idiota na ponta da língua, a que nunca leva nada a sério. Se eu mantivesse todo mundo rindo, ninguém olharia de perto o suficiente para ver a minha dor.
Mas agora... agora o que aconteceu com o Tesla mudou tudo.
Pela primeira vez, sinto que perdi completamente o controle. As piadas travam na minha garganta, o riso parece falso e pesado. Estou me afogando num mar de sentimentos que pasei anos tentando sufocar. Sempre achei que esconder minha verdadeira identidade e fingir força me manteria a salvo, mas a verdade é que estou me perdendo dentro de mim mesma. Perder o Tesla sem nem ter a chance de dizer tchau fez o chão sumir debaixo dos meus pés, e eu já não sei mais onde termina a personagem que criei e onde começa eu de verdade. Eu só estou com medo... e, pela primeira vez, não sei como fingir que está tudo bem. Mulheres fortes não choram, mas se bem ultimamente eu tenho chorado feito uma criança. Preciso melhorar.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.