Eu não sei mais quem eu sou quando olho no espelho. A garota engraçada, a que sempre tinha uma piada boba para disfarçar o medo, simplesmente desapareceu. Pela primeira vez na vida, as palavras travaram na minha garganta.Eu sempre achei que manter as pessoas longe me protegeria de se machucar, mas ele conseguiu atravessar todas as minhas barreiras. E agora que tesla se foi, estou com um mar de sentimentos que eu não sei como controlar. Tentar fingir que sou forte nunca foi tão exaustivo.
Para piorar a tempestade que está aqui dentro, meus passos continuam me levando até atrás de Venthra, bem em frente à Floresta Proibida.
Todo mundo cresce ouvindo as mesmas regras severas: ninguém deve ultrapassar os limites daquela mata. Dizem que os perigos ocultos sob aquelas árvores antigas e retorcidas são letais, que o lugar guarda mistérios que nenhuma pessoa comum deveria tentar entender. Mas, nos últimos dias, o silêncio da floresta parece diferente para mim.
Enquanto todos veem apenas perigo e medo, eu sinto uma curiosidade incontrolável. E o mais assustador é que não é só curiosidade... Eu juraria que consigo ouvir sussurros vindo do meio das sombras. São vozes suaves, quase imperceptíveis, chamas que parecem chamar exatamente pelo meu nome.
Talvez eu esteja ficando louca por causa desses sentimentos estranhos. Ou talvez, no fundo, aquela floresta tão proibida e incompreendida pareça o único lugar no mundo que combina com a confusão que estou sentindo por dentro. Não sei quanto tempo mais vou conseguir resistir antes de dar o primeiro passo para além da linha dos limites.
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.