- TW: Este capítulo contém menções a sequestro e experimentação humana
Era mais um dia que Bubo parecia muito feliz. Reencontra Rai, um amigo que havia conhecido na convergência, embora não se lembrasse dele. Passara boa parte do dia organizando os baús da base que havia encontrado no dia anterior, para que pudesse usar como moeda de troca caso necessário em algum momento.
Um dia bom, animado... Veria Lizz mais uma vez, então riria bastante! O professor havia comentado sobre um laboratório secreto do criador de Sylvera, Augusto e, caso aquele laboratório fosse encontrado, seria de posse do 1º ano. Não demorou muito para que Bubo o encontrasse por acidente.
"[...] O professor passou essa missão mas, eu torci para que esse laboratório não existisse naquele plano. Que não houvesse chance alguma de encontrá-lo...
Que azar, passarinho. Quem diria que logo tu encontraras o que mais temia? Qual é o seu medo? Lembrar? Lembrar de todos os anos? Apenas aquilo que mais desejava esquecer?"
"Aquele homem me encarava com curiosidade. Seus coturnos estalavam quando ele andava e ecoava por aquele espaço opressor que estava contra minha vontade. O ambiente consistia em um espaço ultra moderno, com uma distância enorme entre o piso e o teto, que me fazia sentir ainda menor do que era. Ninguém se importava com o fato de que eu era o melhor da escola, ou todas as vezes que eu comentei pra minha mãe sobre aquela garota da minha turma, nem mesmo todos os peixes que eu cuidei. Eu era alí, um rato, Mus Musculus se me permitisse catalogar.
Olhei para minha calça desgastada e manchada com sangue e pés surrados, descalços, podia até dizer que eram rígidos pelo desgaste diário de longas caminhadas à pé.
Naquele lugar, eu queria desabar, estava esgotado e fraco, como se permanecesse em um deserto quente e caminhasse em pregos durante dias inteiros sem descanso.
Os cabelos prateados daquele homem que me encarava parecia ser ainda mais branco, embora não parecesse grisalho pela idade. Conforme sorria para mim, seus olhos se arregalavam.
– Sente-se. – O homem dizia, levantando seu braço direito de forma que me guiava para a cadeira mais próxima.
Eu me sentei naquela caderna moderna de metal enquanto ele permanecia em pé, atrás de uma escrivaninha de madeira maciça que poderia ser considerada mais velha que eles dois juntos.
– Cadê minha mãe? – Eu perguntava ao senhor, que parecia não me ouvir, não por incapacidade, mas por ignorância.
– Fico feliz que tenha chego finalmente. Estive esperando por você faz uns dias. Precisava de alguém exatamente como você para me ajudar.
Agarrei o assento de minha cadeira com as duas mãos, pronto para sair correndo dalí, mas a fraqueza me mantinha alí. Meu estômago roncava.
– Aceita? – O homem me estendeu um prato de vidro com um pedaço de bolo. Minha mãe fazia um parecido, mas melhor.
Peguei aquele prato em silêncio, pegando parte daquele doce, inclinando a cabeça para trás e colocando em minha boca. Meus olhos se fecharam enquanto eu saboreava o chocolate derreter em minha boca. Quando terminei de comer, abri meus olhos e vi que aquele homem ainda me observava.
– Quer mais? – Perguntou ele.
Eu queria, mas não parecia que havia mais. Neguei com a cabeça, devolvendo aquele prato a escrivaninha.
– Pense isso como uma brincadeira: você vai ser meu paciente. – Ele sorria. Meus olhos se direcionavam para um crachá estampado: 'Chefe de Pesquisa: Yuki'.
Yuki tocou o um caderno no canto da escrivaninha, arrastando em minha direção.
– Essa é minha prancheta. Legal, né? Você pode escrever seu nomezinho aqui para eu te atender no nosso hospital para nenês! – Ele toca o final do papel, em uma linha marcada. Meus olhos percorriam por todo o papel, com palavras estranhas das quais não reconhecia."
Hoje eu poderia saber o que aquele documento dizia: "Pelo presente instrumento particular e na melhor forma de direito, eu OWLIVER KUZNETSOV, nascido no estado de YARLE, em 09 de março, filho de ANASTASIA KUZNETSOVA e MIKHAIL KUZNETSOV, ao pleno gozo das faculdades mentais e por livre espontânea vontade, manifesto nesse ato o desejo de doar o meu corpo, para fins de estudo e pesquisa, em favor da Instituição de Pesquisa INSTITUTO DE MODIFICAÇÃO GENÉTICA YARLETICO. Essa declaração presencia a expressão de minha vontade.
_____________"
Meu corpo tremeu quando entrei naquela sala, sentindo o ambiente frio que envolvia o ar e me fazia relembrar todos os momentos que estive preso naquele lugar. Saí de imediato, deixando o professor e Rai cientes de que nunca mais iria pisar ou nem ao menos chegar perto daquele laboratório.
Rai me assegurou de que estava tudo bem, e tentaria modificar aquele lugar para me deixar confortável, notando o suor frio que descia por minha testa após sair daquela sala às pressas.
"Após certo momento, me encontrei com Lance novamente. Foi bom, me senti feliz de novo depois de tanta tensão.
Talvez minha animação o deixou constrangido. Bem, eu invadi o espaço pessoal dele, mas não foi por querer.
Ele também comentou que ouvia os outros me chamando por pronomes femininos, mas que não entendia. Eu disse que poderia ser minha voz ou jeito que fazia-os pensar daquele jeito... Se eu não ouvi errado, ele disse que eu era...fofo? Ele também me deu uma flor. Eu nunca recebi uma flor na minha vida.
Rai viu toda minha felicidade quando Lance foi ajudar o Rogerio. Eu me sentia humano por ganhar um presente de alguém.
Resolvi ir à vila, queria ver como ela era. Lá, encontrei Lance pela segunda vez, apressado. Sorri, dizendo 'Bom, nos encontramos uma segunda vez em um dia só! A terceira a gente chama de encontro'. Depois daquela frase eu quis me trancar em meu quarto e nunca mais sair."
Ouvi meu celular tocar algumas horas depois, quando já estava sozinho: "Kyros"
Atendi, o convidando para sair e coletar alguns recursos. É como dizem: Essa ação terá consequências.
Não irei preocupar os outros contando minha situação de vida, principalmente a Lizz, o Professor, Hana ou Lance
Contagem de vidas atual: 1
Mortes: 5
(1ª – Nightmare Stalker)
(2ª – Desconhecido)
(3ª – Nightmare Stalker)
(4ª – Fome)
(5ª – Mimic)
Itens perdidos: Todos
O último recomeço
Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.