Diário de Netto Spadoni

Ethereal — Registro pessoal · publicado em 22 de outubro de 2026

Netto SpadoniEscrito por netospadoniEthereal — Registro pessoal

É curioso...

Já passei por tanta coisa envolvendo magia que, sinceramente, chega a ser estranho estar em uma academia "aprendendo" sobre ela.

Não me entendam mal, conhecimento nunca é demais. Mas depois de tudo que fiz em Aurorion, desde ocultismo, rituais, maquinários e até coisas que provavelmente deveriam ter permanecido proibidas, aprender a conjurar uma magia não é exatamente o que mais desperta minha curiosidade.

O que me interessa é aquilo que ainda não consigo explicar.

A alma e as Aeonitas.

Já estudei essas malditas pedras por tanto tempo... Observei suas reações, suas frequências, sua relação com nossas emoções. Cheguei até a consumir uma delas.

Uma decisão extremamente questionável, diga-se de passagem.

E mesmo depois de tudo isso, ainda sinto que compreendo muito pouco sobre o que elas realmente são.

Por exemplo...

Se o Aeon está presente no ambiente e pode ser transformado em mana, qual é exatamente o papel da alma nesse processo?

Pelo que entendo, ela não funciona simplesmente como um recipiente de energia. Parece mais um filtro, algo que determina como essa energia se comporta ao atravessar nossa existência.

Mas por quê?

O que diferencia a minha alma da alma de qualquer outra pessoa, fisicamente falando?

Memórias? Emoções? Experiências? Alguma espécie de frequência própria?

E se todas essas coisas influenciarem a forma como a energia se manifesta, significa que duas pessoas expostas à mesma quantidade de Aeon podem produzir resultados completamente diferentes.

Isso explicaria muita coisa.

Talvez o verdadeiro limite de alguém não esteja na quantidade de energia que possui, mas na capacidade de processá-la.

É como uma máquina.

Não adianta alimentar um mecanismo com energia suficiente para abastecer uma cidade se seus condutores não suportam a carga. Você não consegue mais potência. Consegue uma explosão.

E, considerando meu histórico, acho que já tive explosões suficientes por uma vida.

Ou várias.

Mas isso me leva a outro questionamento.

Se a alma influencia a transformação do Aeon, e a mana percorre determinados pontos do nosso corpo, será que esses pontos são apenas condutores?

Ou existe alguma relação entre a estrutura desses canais e a própria identidade anímica?

Poderíamos pensar em três variáveis: a quantidade de energia disponível, a velocidade com que ela circula e a eficiência com que é convertida em um efeito.

Algo como:

Imagem do diário

Onde P representa a potência resultante, η (eta) representa a eficiência da transformação de energia, variando de 0 a 1 (ou de 0% a 100%), e ΔE/Δt representa a quantidade de energia utilizada por unidade de tempo, ou seja, a taxa de consumo energético.

É uma simplificação, obviamente. Nem sequer tenho certeza de que posso tratar mana e energia convencional como grandezas equivalentes.

Mas serve como ponto de partida.

Se estiver correto, aumentar a reserva de mana não seria a única maneira de aumentar a potência de uma conjuração.

Talvez seja possível obter resultados maiores utilizando a mesma quantidade de energia.

Menos desperdício. Mais controle.

O problema é entender até onde isso pode ser levado antes de comprometer o próprio circuito.

E há outra coisa que vem ocupando minha cabeça desde que cheguei aqui.

Ethereal.

Estamos em uma dimensão de bolso. Um ambiente aparentemente diferente de Aurorion, onde o Aeon e a mana parecem circular de maneira muito mais livre.

Giuseppe comentou sobre a possibilidade de trazer Aeonitas de fora para cá, mas também alertou que seria necessário tomar cuidado justamente pela natureza desta dimensão.

E isso me deixou pensando...

O que aconteceria com uma Aeonita formada em Aurorion quando fosse introduzida aqui?

Ela manteria exatamente as mesmas propriedades?

Ou parte do seu comportamento depende das condições da realidade onde se encontra?

Na física, uma onda pode alterar sua velocidade e seu comprimento de onda ao atravessar meios diferentes. Nem por isso sua frequência necessariamente muda.

Então talvez eu esteja fazendo a pergunta errada.

Não seria simplesmente descobrir se a Aeonita muda de frequência, mas se sua interação com o ambiente muda.

Se eu conseguisse observar a mesma Aeonita sob condições distintas, talvez pudesse descobrir quais propriedades pertencem ao cristal e quais dependem do ambiente.

E isso seria extremamente interessante.

Porque, se existe uma interação entre a frequência da Aeonita e a assinatura da alma, talvez parte da energia seja perdida justamente pela incompatibilidade entre elas.

Uma espécie de resistência anímica?

Não sei.

Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa.

Mas supondo que exista uma frequência natural no circuito de cada indivíduo, seria possível transferir energia com mais eficiência quando essa frequência estivesse em ressonância com uma fonte externa?

Na física convencional, a ressonância permite aumentar a amplitude de resposta de um sistema sem necessariamente aumentar proporcionalmente a força aplicada.

Mas isso não significa criar energia do nada.

A energia continua vindo de algum lugar.

E, principalmente, precisa ir para algum lugar.

Se não conseguir ser dissipada ou utilizada adequadamente, ela se acumula.

O que nos leva novamente ao problema de sempre: quanto o corpo, ou melhor, quanto a alma consegue suportar?

Talvez essa seja a parte mais importante.

Não quero repetir o erro de tentar compreender uma coisa simplesmente me expondo a ela.

Já fiz isso com uma Aeonita.

Sobrevivi, mas definitivamente não considero aquilo um método científico muito inteligente.

A propósito...

Eu morri.

Ou pelo menos cheguei perto o suficiente disso para que a diferença pareça pouco relevante.

Lembro do golpe, do que aconteceu com Senge e de como tudo terminou. E, se não fosse pela Hella, provavelmente não estaria escrevendo isso agora.

Então existe uma pergunta que eu venho evitando há algum tempo.

O que exatamente continuou existindo quando meu corpo deixou de conseguir me manter vivo?

Se minha consciência permaneceu durante aquela passagem, qual estrutura sustentava minhas memórias, minha identidade e minha percepção de mim mesmo?

Era minha alma?

E, se era, até que ponto ela depende do corpo para existir?

Será que os circuitos mágicos são apenas estruturas biológicas que permitem ao corpo interagir com algo que já existe independentemente dele?

Ou fazem parte da própria alma e apenas se manifestam fisicamente?

Isso muda completamente a maneira como deveríamos estudar a morte.

E também a maneira como compreendemos a vida.

Não tenho respostas.

Só perguntas.

Mas, pela primeira vez em algum tempo, são perguntas que realmente tenho vontade de investigar.

Talvez Ethereal sirva para alguma coisa, afinal.

Ainda quero sair daqui. Ainda tenho coisas para resolver lá fora, e nenhuma dessas pesquisas muda isso.

Mas seria estupidez ignorar a oportunidade de compreender algo que venho perseguindo há tanto tempo.

Principalmente se esse conhecimento puder me ajudar a não depender tanto de forças que sequer compreendo completamente.

Por enquanto, preciso organizar minhas hipóteses e descobrir uma maneira de medir essas interações sem utilizar meu próprio corpo como instrumento experimental.

De preferência.

Uma última questão:

Se a alma é capaz de transformar energia de acordo com aquilo que somos, será que aprender a controlá-la significa dominar uma força externa...

...ou compreender, finalmente, aquilo que existe dentro de nós?

Bom.

Isso eu ainda não sei.

Mas pretendo descobrir.

Relato do personagem — perspectiva de seu autor, não um registro oficial.